16.2.15

Em vão.

Em todo fim de ano, eu prometo várias coisas a mim mesmo. Prometo mudanças, inovações, subversões de caráter e de personalidade. Promessas estas que, na minha cabeça, soam inteiramente plausíveis de serem cumpridas, e sem muito esforço da minha parte. Promessas que mudariam meu jeito de ser, viver e ver a vida, que talvez pudessem me tornar uma pessoa... diferente.

Prometo tentar ser mais paciente, ouvir as pessoas, dar bons conselhos e aprender com as experiências (próprias e alheias). Prometo compreender os meus limites, saber até onde posso expandi-los e não atingir os limites alheios, visualizar o total espectro daquilo que me é permitido fazer, e do que não é. 

Prometo ser mais virtuoso, calmo, pensativo e racional. Prometo perder a inocência da infância, buscar enxergar o mundo da maneira como ele realmente é, perder o hábito de me entusiasmar e me iludir com toda e qualquer esperança que me aparece.

Prometo conversar mais, porém falar menos. Prometo deixar a timidez de lado, aprimorar minha extroversão e construir uma imagem sociável e sem escrúpulos (óbvio, respeitando os limites alheios).

Pois é. Passei dezoito anos da minha vida recitando a mim mesmo essa imensa lista de metas e objetivos. Passei dezoito anos me conhecendo, detectando meus defeitos e tentando corrigi-los, em (vazias) promessas de ano novo.

E demorei dezoito anos para entender que, na verdade, eu nunca quis cumprir nenhuma dessas promessas. Isso seria, em menor ou maior instância, abandonar a essência daquilo que me torna eu. Sou impaciente, introvertido, falador, irracional, impulsivo e, apesar de já ter passado por várias experiências ruins, eu não aprendo com os meus erros.

É, este sou eu. E, no fundo, é este "eu" que eu quero continuar sendo.

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