22.8.16

Controle.

“Finalmente, estou no controle da minha própria vida. Depois de muitos e muitos anos, me vi tomando as rédeas da minha existência, e tendo em minhas mãos as minhas decisões, meus pensamentos e, por último, mas não menos importante, minha felicidade. Percebi que estava sorrindo mais, me satisfazendo mais, e com prioridades e objetivos que me deixavam em paz comigo mesmo.

Entretanto, o meu sorriso ainda esconde um fantasma por trás. Um provável fantasma existencial, constitucional, que permanecerá ali por toda a minha vida.”

O pensamento supracitado permeou minha mente inquieta por meses; poderia, inclusive, dizer que foram anos. Não me incomodava, até que parei e racionalizei que todo sorriso deve ser sincero, e seu objetivo é ser um reflexo de uma alma pura, tenra e verdadeiramente... feliz. O que me fez perder noites de sono, portanto, diz respeito a um simples fato: eu estava bem comigo mesmo, mas não estava plenamente satisfeito.

Parei, pensei, entrei em batalha com o meu subconsciente e tentei achar algo que pudesse me fazer mudar. Reestabeleci prioridades, tracei novas metas e construí novos pensamentos. Percebi que a minha vida pouco estava sob o meu controle. Que os sorrisos existiam para tentar mostrar falsamente aos outros que eu estava feliz, e não demonstravam o que eu realmente sentia; funcionavam como uma tentativa desesperada de afastar os meus demônios interiores. Que eu não devo aceitar as falhas da minha própria vida, e que por mais que doa, a mudança deve ser feita. E deve partir única e exclusivamente de mim.

Que eu estava mentindo para mim mesmo.


E, de repente, me vejo dando um sorriso. O sorriso mais verdadeiro que me permiti esboçar em anos de existência.

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