29.3.15

Carta sem destinatário.

" Eu não sei por qual motivo você entrou na minha vida; eu só sei que entrou. Veio sorrateiramente, aos poucos, como quem não quer nada e não possui segundas intenções. E dessa mesma maneira, quando me dei conta, fazíamos parte das vidas um do outro. 

Momentos quaisquer me farão lembrar você. Sejam momentos bons, memoráveis, hilários e encravados na memória; sejam momentos de dificuldade, tristeza, raiva e carência. Em todos eles, eu me lembrarei que, de uma maneira ou de outra, você esteve lá comigo. Mesmo que tenha sido apenas por meio de um apoio moral, ou por um singelo tapinha nas costas e um "relaxa, vai dar tudo certo".

O que me entristece, no entanto, é saber que, da mesma forma despretensiosa que você chegou e preencheu uma lacuna da minha vida que eu sequer sabia que existia, você poderá sair dela, sem nem se preocupar em prestar satisfações. E ainda mais, você poderá sair dela querendo me retirar da sua vida. Me deletar da sua memória, como se eu fosse um borrão inerte e sem utilidade em meio à sua existência completa, equilibrada e sem falhas. Como se eu tivesse sido a razão das suas lágrimas, a ruptura das suas expectativas. Um nada que veio preencher a sua vida. 

Mas saiba que, apesar disso tudo, eu dei o meu máximo. Me esforcei para ser a causa de um simples sorriso em seu rosto. O borrão inerte que poderia tomar forma e preencher uma porção do seu vazio existencial. Uma pessoa que pudesse ser lembrada, apesar dos trancos e barrancos, como quem se esforçou para fazer parte da sua vida.

Uma pessoa que, por mais imperfeita que seja, pudesse, para você, representar a perfeição, nem que por apenas um segundo. "

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