Eu só queria poder fazer tudo o que eu quero. Se não tudo,
uma parcela significante. Ter a capacidade de mudar o mundo. Fugir dos padrões sociais.
Saber aquilo que não sei. 'Des-saber' muita coisa que eu já sei. Evitar o
inevitável, esquecer o inesquecível, tocar o intangível, possibilitar o
impossível.
Eu só queria descobrir os limites da vida e, ao descobrir
estes limites, tentar eliminá-los. Poder ter experiências, errar em algumas
atitudes, acertar em outras, viver sem pensar nas consequências. Pensar por
conta própria, não ter uma velha opinião formada sobre tudo, mas entender um
pouco ... de nada.
Eu só queria compreender até onde vai a complexidade do ser
humano. Descobrir a raiz dos dogmas sociais que nos circundam. Desvendar os
mistérios das mulheres. Entender que tudo pode ser igual, mas na verdade é tudo
diferente. Compreender o porquê das
diferenças nos assustarem tanto. Descobrir o que me fez escrever esse texto, e
mais, o que me fez pensar sobre isso.
Eu só queria medir o infinito. Calcular todos os números do
pi. Descobrir um número inteiro que seja a resposta de uma divisão por zero. Contar
as células do nosso organismo. Entender o
porquê das pessoas confundirem “mas” e “mais”, “a gente” e “agente”, “asterisco”
e “asterístico”. Correr ao lado de um feixe de luz e verificar as leis da
física em primeira pessoa.
Eu só queria não querer tanta coisa.
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