21.7.14

Eu só queria.



Eu só queria poder fazer tudo o que eu quero. Se não tudo, uma parcela significante. Ter a capacidade de mudar o mundo. Fugir dos padrões sociais. Saber aquilo que não sei. 'Des-saber' muita coisa que eu já sei. Evitar o inevitável, esquecer o inesquecível, tocar o intangível, possibilitar o impossível.

Eu só queria descobrir os limites da vida e, ao descobrir estes limites, tentar eliminá-los. Poder ter experiências, errar em algumas atitudes, acertar em outras, viver sem pensar nas consequências. Pensar por conta própria, não ter uma velha opinião formada sobre tudo, mas entender um pouco ... de nada.

Eu só queria compreender até onde vai a complexidade do ser humano. Descobrir a raiz dos dogmas sociais que nos circundam. Desvendar os mistérios das mulheres. Entender que tudo pode ser igual, mas na verdade é tudo diferente.  Compreender o porquê das diferenças nos assustarem tanto.  Descobrir o que me fez escrever esse texto, e mais, o que me fez pensar sobre isso.

Eu só queria medir o infinito. Calcular todos os números do pi. Descobrir um número inteiro que seja a resposta de uma divisão por zero. Contar as células do nosso organismo.  Entender o porquê das pessoas confundirem “mas” e “mais”, “a gente” e “agente”, “asterisco” e “asterístico”. Correr ao lado de um feixe de luz e verificar as leis da física em primeira pessoa. 

Eu só queria não querer tanta coisa.

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