6.4.14

Breves (e duras) palavras.

Não é tão fácil ser humano. Tal conceito não é apenas se sentir um humano, é se comportar, psicológica e socialmente como um. É entender que você faz parte de um conglomerado de pessoas, e que suas atitudes aqui serão vistas e interpretadas por todas elas. É perceber que você possui responsabilidades, desejos, vontades e sonhos, e que em vários momentos você não poderá realizá-los. É perceber que você possui sentimentos.

E é nesse campo dos sentimentos que reside o problema. Não há problema em ter sentimentos (bom... talvez haja) , mas há problema no fato em ter que, comumente,  resguardá-los. Afinal, não é de bom grado que você quebre toda a sua casa durante um acesso de raiva, se derrame em prantos na sala de aula ao sentir uma profunda tristeza, ou comece a rir descontroladamente durante uma reunião da empresa ao se lembrar de uma situação engraçada. 

Ao contrário disso, os reprimimos. Mantemos tudo isso em nosso âmago,  e torcemos para que nosso eu interior acomode toda esta sensação,  até que você a esqueça. Já é raro que entendamos e decodifiquemos nossos sentimentos. E é mais raro ainda as situações em que podemos dar vazão à eles.

E aí ficamos assim, envolvidos por um invólucro intacto, transparecendo uma imagem incólume,  enquanto tudo não passa apenas de um borrão existencial.

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