Não é tão fácil ser humano. Tal conceito não é apenas se sentir um
humano, é se comportar, psicológica e socialmente como um. É entender
que você faz parte de um conglomerado de pessoas, e que suas atitudes
aqui serão vistas e interpretadas por todas elas. É perceber que você
possui responsabilidades, desejos, vontades e sonhos, e que em vários
momentos você não poderá realizá-los. É perceber que você possui
sentimentos.
E é nesse campo dos sentimentos que reside o problema. Não há problema em ter sentimentos (bom... talvez haja) , mas há problema no fato em ter que, comumente, resguardá-los. Afinal, não é de bom grado que você quebre toda a sua casa durante um acesso de raiva, se derrame em prantos na sala de aula ao sentir uma profunda tristeza, ou comece a rir descontroladamente durante uma reunião da empresa ao se lembrar de uma situação engraçada.
Ao contrário disso, os reprimimos. Mantemos tudo
isso em nosso âmago, e torcemos para que nosso eu interior acomode
toda esta sensação, até que você a esqueça. Já é raro que entendamos e
decodifiquemos nossos sentimentos. E é mais raro ainda as
situações em que podemos dar vazão à eles.
E aí ficamos assim, envolvidos por um invólucro intacto, transparecendo uma imagem incólume, enquanto tudo não passa apenas de um borrão existencial.
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