4.1.14

Infinitude.

Abro a janela, olho para o céu e tento enxergar algo. Qualquer coisa. Mas, no tecido negro que recobre a estratosfera, enxergo o nada. Ou talvez o tudo, não sei. Enxergo a imensidão, repleta de pequenos pontos brilhantes e singelos, que tentam oferecer alguma visibilidade para a negritude do "nada". 

Em certos dias, porém, não são apenas estes pontos que enxergo. Um deles tende a se destacar perante os outros. Um ponto de forma variável, podendo ser completamente redondo, em formato de C, ou em formatos intermediários cujas palavras me faltam para a descrição dos mesmos. Este destaque serve para iluminar o negro do céu, para trazer uma certa beleza àquilo que parece ser a imensidão infinita do universo que está acima de todos nós. E, de repente, esse ponto se torna o centro das atenções. 

O universo, embora infinitamente negro, não consegue abafar o brilho da Lua, nem das estrelas. Muito pelo contrário, são elas que atraem nossos olhares. Estes astros aparentam não ser exclusivamente visuais; fitá-los durante uma madrugada pode ser terapêutico, rejuvenescedor, espetacular. Um repleto cardápio de sensações nos é trazido à mente, simplesmente ao olharmos fixamente para estes pontos destaques no esplendor da escuridão. 

Mas por quê? Talvez seja simplesmente devido ao fato deles serem diferentes. Não é fácil se tornar visível em meio àquilo que é comum. E, no caso das estrelas e da Lua, elas não se esforçam para tal. Elas são como são, e portanto se tornam esplêndidas aos olhos humanos.

No fim das contas, o "nada" se torna "tudo". A infinitude do universo é aquilo que o preenche por completo, e estes pequenos pontos que o preenchem são os responsáveis por tornar o infinito visível, admirável e ... incrível.

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