- Cara, me diga: por que você escreve tanto?
- Ih ... Pergunta complicada, essa. Existem três motivos. Primeiro: Escrevo porque gosto. É um hobby. Me faz esquecer dos problemas por um curto período de tempo Segundo: Escrevo porque gosto de acompanhar o crescimento de uma mentalidade e de algumas ideologias.
- Como assim?
- Você já parou pra pensar em como você era quando mais jovem?
- Já. Um retardado.
- Basicamente. Acho que todo mundo pensa isso de si mesmo. É mais ou menos isso que pretendo ao escrever. Não me achar um retardado, claro (quer dizer, algumas vezes), mas sim acompanhar o quanto eu cresci,mentalmente, dos textos antigos pra cá. As ideias amadurecem, as palavras mudam, o estilo da escrita sofre mutações. Talvez eu até exponha as mesmas ideias em dois textos distintos, mas eles acabam soando diferentes, de acordo com meu estado de espírito. É gratificante perceber, pelas palavras que teimam em sair por entre meus dedos, uma torrente de pensamentos mais ou menos alinhados em forma de um texto. Mais gratificante ainda é perceber o quanto estes pensamentos vão se encaixando numa forma mais concisa à medida que o tempo passa.
- Ah, entendi. Você acompanha, portanto, a mudança de seu caráter de acordo com seus textos.
- Basicamente. Pergunte-me o terceiro motivo.
- E o terceiro motivo?
- Boa pergunta! Bastante capciosa, jovem gafanhoto. Em alguns textos, digo algumas coisas que queria dizer todos os dias, por todo o tempo, para toda e qualquer pessoa que conversasse comigo. Trocando em miúdos, queria eternizar alguns momentos e pensamentos para qualquer situação. Mas já parou pra pensar no quão chato isso seria, se aplicado realmente? Pessoas ouviriam o mesmo blablablá inúmeras vezes. Daí, a vontade (e, muitas vezes, a necessidade) de escrever. As palavras e as ideias estão ali, eternizadas. Nada poderá mudá-las. Caso eu precise reviver algum destes momentos, ou talvez repassar estes dizeres, eles estão lá, prontos para serem recuperados. É bastante útil. Cheguei ao ponto de interpretar cada um de meus escritos como uma peça do quebra-cabeça da minha essência como um reles e pífio "escritor". Cada um deles ditará uma parte do que eu fui e do que eu senti naquele momento, e dirá um pouco de mim mesmo. E a ausência de qualquer um deles me tornaria incompleto, ao que tudo indica.
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