3.7.13

Embriaguez existencial.

"Ou, amigão! É, você mesmo! Você, de preto! Calma, calma. Não vou fazer nada para te machucar. Só quero que preste atenção no que vou te dizer, e tente responder minhas perguntas. Fique tranquilo, não sou testemunha de Jeová.

Responda-me: quem é você? Não, não, não, não. Pode parar. Não quero saber seu nome, sua idade, quiçá de onde você vem ou de quem você é filho. Quero saber quem é você, em sua essência. Desejava, com essa pergunta, que você me dissesse um pouco sobre quem você realmente é, lá no fundo de sua alma. Palavras, sentimentos, emoções, qualquer coisa que traduzisse um pouco de sua essência quanto ser humano aqui no planeta. Não sabe responder? Já imaginava...

Falando em essência, o que você quer da vida? Não, cara, tá tudo errado. Isso que você me disse são sonhos, anseios, vontades que você deseja realizar. Isso é muito fácil de falar, todo mundo sabe o que quer. Pergunto-lhe de uma forma mais profunda: quais os caminhos que deseja seguir para que seus sonhos se tornem realidade? O que você deseja acrescentar, subtrair ou mudar de sua personalidade para que isso se torne possível? Cara, pela sua expressão facial você nunca parou pra pensar nisso.

Ok, ok. E quanto à sua importância aqui na Terra? Você sabe me dizer qual é? Porque você está aqui? Qual a razão de sua existência? De novo, você com suas respostas vagas e clichês... Não me interessa se você está aqui para se divertir, para trabalhar e para ser feliz. Isso todo mundo quer, entenda isso de uma vez por todas. O que eu quero (quer dizer, queria) ouvir de sua boca era um argumento para justificar o porquê disso tudo. De que adianta ser feliz, se você não sabe o que vai fazer com toda essa felicidade quando partir deste plano de existência? De que adianta se divertir, se um problema financeiro, familiar ou de qualquer outra natureza vai destruir aquele momento de diversão? Tudo isso deve ter uma resposta, não deve? Talvez tenha, mas acho que você não sabe. Muito menos eu.

Uma última pergunta. Você sabe lidar com a morte? Não, não tente responder; primeiro, deixe-me explicar. Se você tivesse uma oportunidade de avaliar o quão satisfatória foi a sua vida, mesmo após a sua morte, você a avaliaria como? Boa? Ruim? Medíocre? Razoável? Excepcional? Claro que você não sabe. Você ainda não viveu nem a metade dela. Talvez seja bom pensar nisso. A avaliação que você realizará depende de todos os seus passos nesse exato momento. Não pise em falso.

Pronto, era isso o que eu queria lhe dizer. Não, meu amigo, não precisa ficar desesperado. O meu objetivo aqui foi apenas te dar um pequeno choque de realidade. Viva, meu caro. Viva. Dê o melhor de si neste planetinha, seja a melhor pessoa para si e para os outros. Procure um motivo para viver. Caso contrário, a vida será em vão. 

Pode ir embora. Se quiser, passe isso para a frente. Mostre para as pessoas que a vida não é apenas a bolha na qual elas estão inseridas. Existe um mundo obscuro lá fora a ser explorado."

Eu juro, eu não estou bêbado.

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