11.2.16

Escuridão.

Veja bem, lhe agradeço de coração por toda a preocupação direcionada a mim neste momento.  Sei que você se preocupa, gosta de saber o que está acontecendo, quer ajudar e ser solícito. Entretanto, nem eu sei o que anda acontecendo comigo. Desta forma, fica difícil que você me ajude.

Pra te ser sincero, desisti de tentar entender de onde veio isso. Essa sensação estranha, vazia, incompleta, que veio do nada, e pretendo que ao nada retorne. Um sentimento de incompetência perante os desafios, inapetência em relação a novas oportunidades, insegurança acerca da própria vida. Sinto-me de mãos atadas, por existirem situações que fogem ao meu controle, mas eu ainda assim insisto em tentar mudá-las.

Mas isso tudo faz parte de quem eu sou. Ou melhor, de quem me tornei. Não será do nada que eu abandonarei tal “caos psicológico” e o colocarei em ordem. Muito pelo contrário: eu preciso de um tempo para ajeitar tudo isso. Muito tempo.

Vê agora por que não posso aceitar a sua ajuda? Pois estes problemas são muito mais obscuros do que você pensa. Aliás, mais obscuros do que até eu mesmo penso. E aí, lhe digo, com muita tristeza: preciso resolvê-los sozinho. Entrando em conflito com meu subconsciente e lutando contra meus próprios instintos; é apenas desta maneira que os resolverei.


Agradeço pela solicitude. Mas agora sou eu por mim, e mais ninguém.

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