29.11.13

Trechos #4

"(...) Continuo fazendo as coisas e elas continuam não dando certo. Acho que é porque estou meio velho para fazê-las darem certo. Uma coisa deu errado anos atrás, e eu sabia que era ruim, mas não sabia que era ruim pra mim. Achei que tinha apenas acontecido e que eu iria superar. Mas as coisas não param de desmoronar dentro de mim. Estou de saco cheio. E não paro de fazer coisas.
Não tem importância, de uma maneira ou de outra, as coisas já estão decididas e vão acontecer do jeito programado. Só tem uma coisa que me incomoda; uma sensação que tenho às vezes de que sou um personagem num livro de algum escritor ruim e ele já decidiu como as coisas vão acontecer e por quê.
(...)
Ninguém pode fazer nada por mim. E entender que não há nenhum lugar para qual eu possa ir... Todos os lugares são iguais, a não ser que a mentalidade mude. Não existe nenhum lugar mágico que ajeitará a minha cabeça. Se você estiver se sentindo um merda, tudo que olhar vai parecer uma merda. Tenho certeza disso.
(...)
Envelhecer é como dirigir um carro por uma neve que fica cada vez mais funda. Quando finalmente consegue desatolar as suas calotas, você simplesmente sai derrapando sem parar.A vida é assim. Não existem tratores para desencavar você. Seu barco não vai chegar ao porto. Não tem barco nenhum pra ninguém. Você nunca vai ganhar uma competição. Não tem nenhuma câmera seguindo você e gente assistindo à sua luta. É isso e pronto. Só isso. Mais nada."

Adaptado de A Autoestrada, de Stephen King (páginas 246 e 247).

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