14.10.13

Solidão.

Nascemos. E já chegamos a este mundo rodeado de pessoas. Mamãe, papai, titia, titio, avó, avô, primos, primas... Todos eles assistem ao início da sua jornada. O primeiro choro, a primeira inspiração, o primeiro movimento corporal. Tudo isto acompanhado de perto por seres humanos que estarão contigo durante toda a vida.

Crescemos. Conhecemos, na escola, os coleguinhas, os amiguinhos, os parceiros, os melhores amigos, os amigões, os irmãos de consideração, os seres humanos que queremos levar por toda a vida em nossos corações. Criamos a nossa própria network, de acordo com os nossos interesses. Aliás, criamos os nossos interesses de acordo com a nossa network.A partir daqui, é perceptível como o nosso caráter é construído e fundamentado de acordo com o outro. Aquele ser humano, que convive dia após dia ao seu lado, representando um vínculo qualquer, termina por modelar aquilo que se chama de caráter.

O outro é parte intrínseca a nossa personalidade. Não somos ninguém sozinhos. Não vivemos sozinhos. Aprendemos, nos cursos da vida, que a socialização é indispensável. Fazer parte da vida do outro é tão importante quanto termos o outro em nossa vida. Ele é, muitas vezes, o responsável pela criação de novas ideologias, sedimentação de novos conhecimentos, percepção de novos horizontes acerca do mundo.

Mas o outro não estará sempre disponível. Pessoas vão e vem ; isso é inevitável. Em algum momento, quando a necessidade de um ser humano próximo se manifestar, ele poderá não estar presente. Esta é a hora que percebemos que, em nós, existe alguma força. Força esta essencial para que sigamos em frente. Força esta que nos deixa amparados, mesmo que estejamos sozinhos.

Somos mal acostumados. Estamos o tempo todo rodeados de gente. Gente boa, gente má, gente dispensável, gente substituível, gente humana. E quando, por alguma força maior, esta gente não se faz presente, nos sentimos sem chão. E daí a importância de entendermos que o outro é necessário, mas não é essencial. Em alguns momentos da vida, seremos nós, e apenas nós. 

E daí percebemos que a única pessoa que estará do nosso lado é a solidão.

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