02:13 da manhã, e eu estou escrevendo esse texto. Não sei o motivo de estar redigindo-o agora. Só sei que o estou fazendo. Me veio, do nada, uma vontade de escrever alguma coisa. Não sei bem o que, mas estou escrevendo mesmo assim.
Talvez tenha sido esse barulho da chuva que me inspirou. Me acalenta a alma ouvir os tenros e suaves sons dos pingos da chuva de encontro à janela metálica. E eles me fazem lembrar. Reminiscências. Ah, como eu odeio reminiscências. Sempre trazendo à tona saudades, melancolias, nostalgias. Mas nunca tristezas, apesar de tudo.
E então eu percebo aonde estou. Deitado na minha cama, de madrugada, no escuro. Deveria estar dormindo a essa hora, mas estou escrevendo. Talvez isso não faça o menor sentido, mas eu continuo escrevendo. Sim, estou escrevendo para libertar a minha alma. Estou escrevendo pela vontade mal-sucedida de transpor meus pensamentos obscuros e intangíveis para o papel. Estou escrevendo pela pura ingenuidade. Estou escrevendo ao vento, deixando meus dedos soltos, de modo com que eles digitem tudo aquilo que acharem conveniente.
E eu me lembrei de uma conversa que eu tive com alguém, há algum tempo. "Por que você escreve?" , a pessoa me perguntou. "Escrevo para poder me libertar", respondi. "Costumo pensar demais, racionalizar demais, objetivar demais. Nos momentos em que escrevo, simplesmente não penso no que estou fazendo. As palavras fluem em sua forma mais simples, sem rebuscamentos, sem nenhum preparo. Elas simplesmente saem. E, para quem me conhece há algum tempo, sabe que tais palavras são apenas uma transposição de tudo que eu penso para uma linguagem escrita, uma profunda introspecção do meu ser." E assim continuo gostando de escrever.
Tenho total e plena consciência de que isso não fará sentido para muitos que lerem, mas essa é a forma que tenho para poder dizer, nem sempre de uma forma tão clara, (quase) tudo aquilo que se passa em minha mente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário