Desejo manter a inocência e a ingenuidade da infância. Olhar
para trás e perceber que todas as maldades do mundo (em todos os sentidos
possíveis para a palavra) não me afetavam.
Todas as coisas novas me eram excepcionalmente incríveis. Lugares novos,
sensações novas, amiguinhos novos ... Cada uma destas simples coisas eram fora
do normal, expandiam os horizontes do jovem gafanhoto, mudavam os paradigmas do
pequeno infante. E hoje isso tudo se esvaiu. Coisas novas já não me agradam
tanto mais. O mundo ao meu redor se tornou extremamente maçante, enfadonho, monótono.
Desejo obter a maturidade que a vida tenta arduamente nos impor. Aprender a
pensar racional e objetivamente é uma habilidade que poucos conseguem manter em
suas vidas.Muitas vezes , atitudes são guiadas pelo instinto, geralmente com
as suas conseqüências deixadas em segundo plano. Não que isso seja ruim em
todas as suas essências (afinal, qual seria a graça da vida sem uma aventura?), mas julgo importante saber balancear o que te impulsiona,
pensar nas relações de causa/efeito que o circundam.
Desejo obter a sabedoria dos mais vividos. Não há nada mais
gratificante do que sentar com uma pessoa mais velha e ouvi-la contar suas
histórias de adolescência. São aventuras atrás de aventuras, decepções atrás de
decepções, alegrias atrás de alegrias. E talvez possamos aprender um pouco com
essas experiências. Afinal, nós, adolescentes, não temos sequer o cérebro
formado por completo, e não entendemos nem uma pequena parcela do mundo.
No fim das contas, desejo ser uma criança crescida, um
adulto formado e um velho satisfeito com a vida que levei. Desejo,
simplesmente, viver.
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