15.12.12

Intragabilidade textual.

Escrever é como um vício. Basta começar, e você nunca mais vai querer parar. E, todo como vício, você parece ser recompensado de alguma forma. Ao terminar um texto, uma sensação de euforia e satisfação emerge do fundo da alma, como um choque de dopamina. Melhor ainda é todo o feedback . Elogios aos seus escritos, incentivos para continuar escrevendo, saber que existe algumas pessoas que gostam dessa expressão de criatividade. Impagável.

Mas como tudo na vida, nem tudo são flores. Queremos escrever, mesmo!, mas as ideias simplesmente não vem. Não aparecem. Não dão o ar de sua graça. E ficamos no limbo. Sentamos na frente do papel (ou do computador, que seja), olhamos pro vazio esperando o insight chegar, e nada acontece. E daí vem a frustração. É complicado assimilar que também temos períodos difíceis. Existem pedras até no caminho da expressão criativa, da arte (ou não) de escrever. E é indubitavelmente complicado driblar tais bloqueios mentais.

Até que, de uma forma ou de outra, eu percebi que poderia escrever sobre a minha falta de ideias para escrever, o que pode ser bastante paradoxal. Não faz sentido, mas acabou rendendo um texto (que é mais um desabafo) bastante truncado em sua essência.

Mas pelo menos serviu pra alguma coisa. Percebi que as ideias estão aí, o difícil é realmente colocá-las no papel. Afinal, de uma coisa eu tenho certeza: como todo ser humano, eu penso bastante, conjecturo muito acerca das coisas mundanas e, portanto, textos sobre isso não faltariam.

Entretanto, um texto meu seria totalmente intragável se eu expressasse tudo que eu sinto no papel.

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