15.9.12

Excentricidade

Numa tarde normal de sexta-feira, estou voltando para minha cidade. Pego o ônibus, me aconchego na poltrona e vou ouvir minha musiquinha. Eis, então, que vejo um senhor entrando no veículo. Mas não um senhor qualquer. Ele tinha seus sessenta e tantos anos, com uma barba branca a fazer, usando uma calça de moletom verde, com um brinco preto, segurando um celular "da moda" e com um tênis da Red Nose. Para completar, fazia uso de uma boina xadrez. "Esse 'senhor', se é que ele gosta de ser chamado assim, está muito fora de seu tempo" foi o pensamento que imediatamente me veio à cabeça. Além disso, me indaguei: por que ficamos tão vidrados ao vermos um indivíduo com traços excêntricos?

Seja esquisito ou interessante, a tendência é que fiquemos estagnados com o diferente. Aquilo que foge aos padrões estabelecidos socialmente é alvo de olhares curiosos. A impressão que tenho é que tais particularidades refletem uma nova forma de lidar com a vida. No caso citado, ele é inegavelmente um senhor, mas não quer se sentir assim. Busca a jovialidade, a vida aventureira, a rebeldia dos adolescentes. Devido a sua idade e ao meio em que vive, é inviável a adoção completa de tal visão de mundo, mas pode usar de artimanhas que o façam sentir assim. E isso acontece também em outras esferas. Adolescentes com piercings e cabelos pintados de cores diferentes; mulheres adultas com alargadores , usando e abusando de sombras pretas ; homens com tatuagens imensas, que recobrem todo o corpo ... São inúmeras as formas de fuga dos padrões sociais.

E tais aspectos são fervorosos aos olhos dos curiosos. São atitudes corajosas, invejáveis, de pessoas que procuram se sentir bem consigo mesmas sem se preocupar com a atitude alheia.

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